Cigana, eu não sou nenhum vaqueiro
Que viva de guardar o gado alheio, se bem que,
Quanto aos misteres, eu não cultive mesmo algum
Tipo de estulto preconceito;
O que ocorre é que sou poeta e é isso,
Sou um grande poeta brasileiro; sê-lo me faz tão rico,
Ser eu, ser do Brasil, e o meu ofício;
Mas tudo que tenho e sou, eu lhe dedico
Cigana, andaremos pelo campo,
Você apoiada no meu braço,
Olhando as anêmonas as enguias os corais os cetáceos e os hipocampos,
Requentando-nos ao colar do nosso abraço;
Gravarei em ondas de éter e hertzianas
Um coração brasileiro e furta-cor
Os nossos nomes com as setas, as engrenagens, as roldanas, as ventanas
("El día que me quieras"..., lembra?) do amor do nosso amor do fero amor do vero amor do puro amor
Cigana, quando eu falo o calor do nosso abraço
Estou me referindo a este fio
Onde nós dois dispusemos tantos nãos
E depois enfiamos tantos sins
E que se torna alga linda assim
Como um letreiro uma árvore verdadeira
Que faísca em parsecs áions o cosmo inteiro xadrez de estrelas
E nós no meio delas
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